Risco de desastre não está descartada em estruturas de Goiás
Os estragos causados pelo rompimento de barragens em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizo nte (MG) nesta sexta-feira (25), ainda não podem ser
calculados. Um mar de lama avança e preocupa. Em Goiás existe atividade mineradora intensa e o risco de um dano ambientalsemelhante não pode ser descartado, especialmente nas 11 maiores barragens do Estado. No caso das barragens de água, o número supera seis mil, mas a maior parte de pequeno porte. A maior delas é a do João Leite, com estrutura capaz de armazenar 130 bilhões de litros de água.
Superintendente de recursos hídricos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura,Cidades e Assuntos Metropolitanos (Secima), Diogo Lourenço Segatti diz que a pasta é responsável pela concessão de licenças para qualquer tipo de barragem, mas que a fiscalização das estruturas de rejeitas fica a cargo da Agência Nacional de Mineração (ANM) e a Secima cuida das barragens construídas para armazenar água.''Todas são muito seguras, mas dependem de manutenção e fiscalização", reforça.
Segatti diz que existem regras tratadas na política de classificação de barragens e cada uma, a depender de seu tamanho e capacidade, merece algum tipo de atenção específica. ''Mas todas recebem pelo menos uma visita por ano. As maiores recebem mais visitas. No caso da barragem do João Leite, o acompanhamento é mais frequente, podendo ser cinco ou mais por ano", explica. O superintendente diz que a maior parte destas estruturas são particulares e isso não impede a fiscalização.''Todas as maiores estão cadastradas e são fiscalizadas periodicamente".
Mas ele comenta que todo barramento de grande porte possui o dano potencial associado (DPA). No caso da barragem do João Leite, um possívelrompimento traria prejuízos incalculáveis pela quantidade de água armazenada ali. “Nenhuma barragem é feita para romper, apesar do DPA. O custo disto é muito alto e não compensa para nenhuma das partes. No caso da barragem do João Leite, por exemplo, existem 414 instrumentos de medição 24 horas por dia, todos os dias da semana. Existe um controle rígido, como tem que ser em uma situação como esta", ressalta.
Agilidade
O superintendente ainda diz que,como toda obra,as barragens precisam sera companhadas de perto e ao sinal de alguma rachadura ou infiltração ,os reparos precisam ser realizados de maneira imediata.''É uma obra de alve naria ou de terra e elas precisam de manutenção, de correção.Além disso, precisa ter seus limites respeitados. Exceder algum limite de peso, de vo lume, por exemplo, pode decretar uma situação de rompimento, por exem plo", diz. Ele afir ma que as visitas de fiscalização da Secima também ver ificam questões que dizem respeito às capacidades das obras.
Em fevereiro de 2016, a barragem de uma represa particular se rompeu e destruiu um trecho da G0-070, entre ltaberaí e ltauçu, na Região Central de Goiás. Imagens de vídeo divulgadas à época mostram como a força da água arrastou terra e asfalto e formou cratera, vista quando a água baixou. Cerca de 15 milveículos passam pelo local diariamente, entre eles caminhões que transportam a produção da região. O tráfego foi desviado. A obra da barragem não possuía licença.
Técnicos do Estado integram força-tarefa
A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Agênc ia Nacional de Mineração (ANM), antigo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e foi informada que não poderia informar sobre as maiores empresas mineradoras e produtoras de rejeitas do Estado porque uma força-tarefa foi criada para atender à demanda de Brumadinho e que somente na próxima semana estes questionamentos poderão ser respondidos. Os responsáveis pela agênc ia em Goiás preferiram não comentar.
Em 2015, quando ocorreu uma tragédia semelhante no município de Mariana, também em Minas Gerais,o antigo DNPM informou que Goiás possuía pelo menos 11 barragens de maior porte com rejeitas. As estruturas estão localizadas em Catalão (fosfato e nióbio); Crixás (ouro), Niquelândia (níquel), Barro Alto (níquel), A mericano do Brasil(níquel, cobre e cobalto) e a de maior proporção em Alto Horizonte (ouro e cobre).Os técnicos da área informaram, à época, que grande parte das jazidas vão para rejeito e, quando o material descartado é mais sólido, ao invés de barragens, são formadas pilhas.
Um acidente de menor escala ocorreu em Catalão, no Sudeste de Goiás, em 2004. A represa sob responsabilidade então da Ultrafértil S/A se rompeu durante o carnaval daquele ano, deixando um rastro de lama e resíduos que acabou por afetar pelo menos três rios da região.O acidente atingiu pelo menos 7 quilômetros (km) da área rural do município, matando fauna e flora da região.O impacto pode ser percebido em uma área total de 180 hectares.
À época do desastre de Mariana,O POPULAR apurou que seis das oito principais barragens de resíduos de atividades mineradoras existentes em Goiás possuíam Dano Potencial Associado considerado alto pelo então Departamento Nacionalde Produção Mineral (DNPM). Embora não figurassem entre as 16 mais inseguras do País,os diques goianos tinham classificações parecidas com a Barragem do Fundão, que rompeu em novembro de 2015, no interior de Minas Gerais e gerou uma onda de lama e resíduos que se encaminham para o litoral do Espírito Santo, na Região Sudeste.
Fonte: Jornal O Popular